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Além da Conformidade: Novos Desafios no Combate à Lavagem de Dinheiro na Indústria de Jogos

(Lima, Exclusivo SoloAzar).- Durante o Peru Gaming Show (PGS) 2026, Carlos Hermoza Horna, Founder & Managing Partner da CompliLab Legal Latam, realizou uma conferência focada em como a conformidade com as normas de prevenção à lavagem de dinheiro (AML) no setor de jogos deve evoluir além das obrigações regulatórias. Sua apresentação destacou a crescente sofisticação dos crimes financeiros, a importância da tecnologia e a necessidade de construir uma verdadeira cultura de compliance dentro das organizações do setor.

Por Autor Exclusivo
Quinta-feira 09 Julho
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4 min de leitura
Além da Conformidade: Novos Desafios no Combate à Lavagem de Dinheiro na Indústria de Jogos

Compliance deve ser um sistema vivo e demonstrável

Durante sua apresentação, Carlos Hermoza Horna, Founder & Managing Partner da CompliLab Legal Latam, ressaltou que o compliance já não pode depender apenas de políticas e documentação.

“Os sistemas de prevenção à lavagem de dinheiro são obrigatórios. Não é uma opção ter ou não ter um sistema. O que precisamos é de um sistema de prevenção que esteja totalmente ativo e seja demonstrável durante uma inspeção”, afirmou.

Hermoza explicou que os operadores devem ser capazes de comprovar que seus controles funcionam na prática, e não apenas apresentar manuais ou políticas internas.

“O manual pode parecer excelente no papel, mas durante uma inspeção devemos conseguir demonstrar que o sistema realmente está funcionando, que operações suspeitas estão sendo reportadas e que os requisitos regulatórios estão sendo cumpridos.”

Os riscos criminais estão se tornando cada vez mais sofisticados

Um dos principais temas abordados na conferência foi a rápida evolução dos crimes financeiros e a forma como as organizações criminosas estão se adaptando aos avanços tecnológicos.

Segundo Hermoza, os esquemas de lavagem de dinheiro foram muito além das tradicionais transações em dinheiro.

“Atualmente, os criminosos se tornaram mais sofisticados. Eles já não operam apenas com dinheiro físico; migraram para ambientes digitais, criptomoedas e estruturas financeiras cada vez mais complexas.”

Ele alertou que os operadores de jogos devem adaptar continuamente seus sistemas de monitoramento para acompanhar esses novos riscos.

A prevenção significa proteger o negócio

Em vez de enxergar o compliance como uma obrigação regulatória, Hermoza defendeu que programas eficazes de AML devem ser considerados um investimento estratégico.

“Prevenção significa proteger o negócio. Significa tornar a empresa sustentável ao longo do tempo.”

Ele destacou que as consequências de um sistema de compliance frágil vão muito além das multas regulatórias.

“As empresas levam anos para construir sua reputação, mas ela pode ser destruída em segundos quando ocorre uma grande falha de compliance.”

Entre os riscos destacados estão:

Penalidades financeiras e riscos para a licença

Os operadores podem enfrentar multas, possíveis cancelamentos de licenças e sanções regulatórias quando os controles de AML falham.

Danos à reputação

A perda de confiança entre clientes, investidores, fornecedores e reguladores pode gerar um impacto de longo prazo muito maior do que qualquer penalidade financeira.

“O risco reputacional é provavelmente o mais difícil de recuperar”, observou Hermoza.

A tecnologia se torna uma ferramenta essencial para o compliance

O palestrante explicou que atualmente as equipes de compliance contam com soluções tecnológicas capazes de automatizar processos de due diligence, verificação em listas de sanções e monitoramento de transações.

“Hoje temos ferramentas tecnológicas que realizam due diligence, verificam listas de sanções, identificam notícias negativas e automatizam muitos processos de compliance. Já não estamos sozinhos nessa tarefa.”

Ele incentivou os operadores a adotarem um monitoramento contínuo, em vez de dependerem apenas de revisões periódicas.

Tudo, segundo ele, deve ser mensurável.

“Hoje tudo é dado. Tudo pode ser medido e monitorado, desde a gestão de riscos até os registros de transações.”

A due diligence vai além dos clientes

Outro ponto importante abordado durante a conferência foi o crescente foco regulatório sobre os riscos relacionados a terceiros.

Hermoza explicou que os processos de due diligence devem incluir fornecedores, além dos clientes.

“Um fornecedor também pode representar um risco reputacional e regulatório. Por isso, os fornecedores também devem passar por uma adequada due diligence antes do estabelecimento de uma relação comercial.”

Ele esclareceu que identificar uma relação de alto risco não significa necessariamente rejeitá-la.

“É possível trabalhar com um cliente ou fornecedor de alto risco. O importante é compreender o risco e controlá-lo de maneira adequada.”

Construindo uma cultura de compliance

Além dos procedimentos e das obrigações de reporte, Hermoza afirmou que um compliance bem-sucedido depende da cultura organizacional.

Ele desafiou as empresas a integrarem a conscientização sobre AML às operações diárias, em vez de tratá-la apenas como um treinamento anual obrigatório.

“A questão não é se realizamos treinamentos porque a regulamentação exige uma vez por ano. O verdadeiro desafio é saber se integramos o compliance à nossa cultura corporativa.”

Ele também redefiniu o papel do Compliance Officer.

“Muitas pessoas pensam que o Compliance Officer é o ‘vilão’, mas é exatamente o contrário. O Compliance Officer é um parceiro estratégico que ajuda a empresa a tomar decisões informadas e continuar operando, mantendo os riscos sob controle.”

Oito recomendações para sistemas de AML mais eficientes

Como conclusão prática, Hermoza recomendou que os operadores avaliem e fortaleçam continuamente seus sistemas de compliance por meio de:

  • Atualização periódica das políticas internas de AML.
  • Avaliação dos riscos existentes e identificação de lacunas nos controles.
  • Testes contínuos dos controles internos.
  • Monitoramento da due diligence de clientes e fornecedores.
  • Fortalecimento do treinamento dos colaboradores durante todo o ano.
  • Uso da tecnologia para monitoramento de transações e verificações.
  • Desenvolvimento de uma liderança ética em toda a organização.
  • Foco na prevenção, em vez de agir apenas após a ocorrência de incidentes.

Encerrando a sessão, Hermoza reforçou que o compliance está, em última instância, relacionado às pessoas e aos valores corporativos.

“Compliance não é apenas uma questão técnica. É uma questão de cultura, ética, integridade, educação e de estar um passo à frente dos problemas. É assim que as empresas podem permanecer responsáveis, seguras e sustentáveis ao longo do tempo.”

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