O debate expôs uma realidade dupla para os operadores: oportunidades massivas de crescimento convivem com estruturas tributárias complexas e exigências rigorosas de conformidade.
“O desafio é equilibrar o crescimento com a conformidade rigorosa para construir uma estrutura de mercado sustentável”, resumiu Plínio Augusto Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL).
O painel foi moderado por Pavel Dergachev, cofundador da 4H Agency, que conduziu a conversa com base em sua experiência em pagamentos, compliance e desenvolvimento de negócios.
Entre os debatedores estavam ainda Tamas Kusztos, diretor comercial da Playson; Alexandre Tomic, fundador da Alea; e Stepan Dobrovolskiy, CEO da BetBoom LATAM, responsável pela expansão da marca em toda a América Latina.
Regulação como infraestrutura
Os especialistas concordaram que a nova regulamentação brasileira chega com exigências detalhadas de tributação e supervisão governamental — e que isso precisa ser encarado como parte da base de crescimento do setor.
“Construir um mercado sustentável requer alinhar as ambições empresariais aos marcos legais e às obrigações fiscais em evolução”, explicou Lemos Jorge, destacando que a regulação deve ser vista como infraestrutura, não como barreira.
As empresas presentes, como BetBoom LATAM, Playson e Alea, reforçaram que a conformidade deve ser integrada ao modelo de negócio. Kusztos observou que o sucesso depende de “planejamento estratégico baseado em dados confiáveis e agilidade operacional”.
Dobrovolskiy completou que “crescimento e compliance não precisam ser opostos, mas complementares, favorecendo uma expansão sustentável”.
Já Tomic destacou o papel essencial da tecnologia:
“As plataformas precisam evoluir junto com as mudanças regulatórias, priorizando governança de APIs e padrões de integração que unam inovação e controle”.

Desafios e próximos passos
Embora o Brasil desperte enorme interesse global, os painelistas foram unânimes ao apontar que há obstáculos significativos pela frente. A complexidade tributária e a necessidade de sistemas de compliance robustos seguem como os maiores desafios.
“A incerteza nos regimes fiscais pode desestimular investimentos e frear o crescimento do mercado se não for resolvida rapidamente”, alertou Lemos Jorge.
O painel “Power Play in Progress” concluiu que o sucesso do mercado brasileiro depende da colaboração entre o setor público e o privado. A legislação define as regras, mas é a cooperação entre reguladores e operadores que determinará se o mercado irá prosperar — ou estagnar.
"A regulação é o ponto de partida. O verdadeiro progresso virá da confiança e da construção conjunta de um ecossistema sólido”, sintetizou Dergachev ao encerrar a sessão.
