Durante evento realizado na última segunda-feira (9), em Mauá, no ABC Paulista, o presidente mencionou a necessidade de enfrentar possíveis impactos negativos das chamadas “bets”, especialmente em relação ao endividamento da população de menor renda. As declarações repercutiram no Congresso Nacional e reacenderam o debate político em torno da regulamentação do mercado.
Críticas à condução do processo de regulamentação
Para Sóstenes Cavalcante, há uma contradição entre o discurso atual e as ações adotadas anteriormente pelo Executivo. O parlamentar ressaltou que a regulamentação das apostas esportivas foi formalizada por meio de decreto presidencial assinado em 2023, após articulação do governo junto ao Congresso.
“Hoje o descondensado mais uma vez usa de sua hipocrisia para tentar enganar os brasileiros, dizendo que agora vai acabar com o problema das bets no Brasil, afirmando que elas só estão endividando os mais pobres”, declarou o deputado.
Ele reforçou que a legalização ocorreu dentro de um processo institucional legítimo e destacou que a decisão partiu do próprio governo federal. “Quem assinou para legalizar as bets no Brasil foi Lula. Assinou para legalizar e agora quer dizer que quer resolver o problema. Eu espero que, apesar de sua hipocrisia, ele resolva mesmo, por meio de uma medida provisória, e cancele as bets imediatamente no Brasil”, afirmou.
Debate político e posicionamento da bancada
Sóstenes também relembrou que sempre se posicionou contra a expansão dos jogos de azar, alinhado a integrantes da bancada evangélica e a senadores como Eduardo Girão e Magno Malta (PL-ES). Segundo ele, a votação da matéria ocorreu no final do ano legislativo, em meio a intensas discussões.
“Eu sempre estive aqui, com grande parte da bancada evangélica, lutando contra. Eu me lembro dessa votação, obstruindo até o último minuto. Eu, sim, tenho moral para falar contra as bets e qualquer jogo de azar”, enfatizou.
O deputado ainda acusou membros do governo de terem atuado politicamente para viabilizar a regulamentação do setor. “Quem ficou fazendo lobby para legalizar foi o governo Lula e o ministro ‘Taxad’, que queria legalizar. Agora ficam chorando as pitangas”, disse.
Ao final, o líder do PL lançou um desafio direto ao presidente da República: “Espero que, se você tiver moral, mande uma medida provisória para a Câmara dos Deputados cancelando as bets. Aí, sim, vou ter que te dar razão, concluiu.”
O episódio evidencia como o mercado regulado de apostas esportivas segue no centro do debate político brasileiro, em um momento de consolidação normativa e de definição de políticas públicas voltadas à proteção do consumidor e à sustentabilidade do setor.
