O texto final suprimiu a criação da chamada Cide-Bets, mecanismo que estabelecia contribuição específica sobre o setor de apostas com destinação voltada ao fortalecimento da segurança pública. A medida havia sido incorporada durante a tramitação, mas acabou retirada na votação mais recente na Câmara.
Debate sobre tributação e segurança jurídica
Em nota oficial, a bancada do PT afirmou que a exclusão da cobrança representa um revés sob a ótica do financiamento estatal, ao considerar que os recursos poderiam reforçar a capacidade estrutural de enfrentamento ao crime organizado.
O posicionamento marca mais um capítulo do debate em torno do equilíbrio entre carga tributária, segurança jurídica e consolidação do mercado regulado de apostas no Brasil. O segmento, que passa por processo de estruturação normativa e amadurecimento institucional, tornou-se parte central das discussões legislativas envolvendo arrecadação, fiscalização e combate à ilegalidade.
Apesar das divergências em relação à tributação das plataformas, o texto aprovado mantém instrumentos relevantes para o enfrentamento às organizações criminosas, incluindo a tipificação de condutas específicas e penas que podem variar de 20 a 40 anos de reclusão.
Avanços institucionais e integração no combate ao crime
O projeto também estabelece mecanismos de integração nacional e internacional no combate ao crime organizado. A Polícia Federal e as polícias estaduais atuarão de forma coordenada por meio das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs), fortalecendo a cooperação entre diferentes esferas de segurança.
Além da questão tributária relacionada às apostas online, o PT apontou preocupações técnicas sobre outros dispositivos do texto, como a criação do tipo penal de “domínio social estruturado” e a ausência de medidas consideradas mais robustas para bloqueio e destinação de patrimônio de organizações criminosas.
Para a indústria de jogos e apostas, o novo posicionamento político reforça a centralidade do setor nas discussões sobre arrecadação e políticas públicas, ao mesmo tempo em que evidencia a necessidade de previsibilidade regulatória. O acompanhamento das próximas etapas, especialmente a sanção presidencial, será determinante para o ambiente jurídico e econômico das plataformas que operam ou pretendem atuar no mercado brasileiro regulado.
