Parlamentar questiona impacto da publicidade das bets
Durante seu pronunciamento, Humberto Costa afirmou que a ampla divulgação de casas de apostas em transmissões esportivas e plataformas digitais contribui para normalizar o jogo, especialmente entre crianças e adolescentes, ao associar o futebol às apostas.
Segundo o senador, o crescimento da publicidade do segmento gera impactos sociais que, em sua avaliação, vão além da discussão econômica sobre a regulamentação da indústria.
"O esporte, que deveria formar cidadãos, foi sequestrado e está sendo usado para criar apostadores. O que está acontecendo no Brasil ultrapassou há muito tempo a discussão sobre um setor econômico. Estamos falando de uma tragédia social que mata pessoas, destrói famílias e dilapida patrimônios", declarou.
Projeto prevê novas limitações ao mercado
Como parte de sua proposta para reforçar os mecanismos de controle do setor, Humberto Costa voltou a defender o Projeto de Lei nº 3.754/2025, de sua autoria.
O texto propõe elevar para 21 anos a idade mínima para apostar, restringir a publicidade das operadoras, proibir o patrocínio de empresas de apostas em eventos públicos e estabelecer um limite mensal para os valores apostados por cada usuário.
O senador também destacou a criação da Frente Parlamentar por um Brasil sem Jogos de Azar, iniciativa que reúne integrantes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados com o objetivo de discutir políticas voltadas à redução dos impactos sociais associados às apostas.
Debate sobre publicidade segue no centro da regulamentação
As declarações reforçam um dos principais temas em discussão no mercado regulado brasileiro: o equilíbrio entre o desenvolvimento da indústria de apostas e a adoção de medidas de jogo responsável e proteção ao consumidor.
Ao encerrar seu discurso, Humberto Costa defendeu que o futebol permaneça desvinculado da promoção das apostas esportivas.
"O futebol pertence ao povo, não pertence às plataformas de apostas. As emoções da Copa do Mundo pertencem às famílias, não pertencem aos algoritmos que estimulam apostas sucessivas. A esperança da juventude brasileira deve estar na educação, no esporte, na cultura, na ciência, no trabalho e no empreendedorismo, jamais na ilusão de que um clique predatório e doentio possa substituir o esforço de uma vida inteira", afirmou.
