A iniciativa prevê pesquisas, mapeamento do ecossistema nacional de jogos e a formação de profissionais capacitados para atuar em áreas estratégicas da indústria. Além disso, a parceria garantirá uma delegação institucional brasileira na 1ª edição dos Jogos Olímpicos de eSports, marcada para 2027, em Riad (Arábia Saudita).
Expansão do conhecimento e inclusão digital
De acordo com o secretário nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do MEsp, Giovanni Rocco, a parceria marca um novo momento para o setor de jogos eletrônicos no país.
“Essa parceria simboliza um compromisso com o futuro — um futuro em que universidades, organizações esportivas, empresas e o poder público caminham juntos. Queremos ampliar o acesso, promover a inclusão digital e garantir que mais pessoas possam fazer parte desse universo vibrante e transformador dos jogos eletrônicos”, destacou Rocco.
O acordo reforça o papel do governo na criação de estruturas sólidas de conhecimento e inovação, aproximando o meio acadêmico da realidade do mercado de eSports e games.
Foco em ética, educação e segurança
O diretor de e-Sport do MEsp, Marcio Zuba de Oliva, ressaltou que o acordo também tem caráter educacional e preventivo, abordando temas sensíveis do universo gamer.
“Demos um grande passo para os eSports no Brasil. Vamos trabalhar com foco pedagógico em áreas como prevenção à manipulação de resultados, combate ao cyberbullying, impactos na saúde mental, igualdade de gênero, doping digital e práticas envolvendo loot boxes”, explicou.
As ações incluem a criação de cartilhas educativas, pesquisas aplicadas e estratégias de conscientização junto a escolas, federações e comunidades gamer.
Estrutura e regulamentação do setor
Com o avanço da parceria, o MEsp e a UFLA planejam criar grupos de trabalho e comitês técnicos para discutir aspectos éticos, sociais e econômicos dos eSports.
A intenção é estruturar diretrizes e regulamentações que promovam o crescimento sustentável e organizado da modalidade, além de incentivar seu uso como ferramenta de inclusão social e educacional.
A integração entre universidades, organizações esportivas, empresas e órgãos governamentais será o eixo central dessa construção — aproximando o setor de práticas internacionais e boas governanças.
O cenário gamer no Brasil
Segundo a pesquisa Game Brasil, 74% dos brasileiros jogam regularmente, com destaque para adultos entre 35 e 39 anos. A participação feminina já é maior que a masculina, alcançando 50,9% do público, e 79,5% dos entrevistados afirmam que os games são sua principal forma de entretenimento.
Esses números reforçam o potencial do país no cenário dos eSports e mostram a necessidade de investimento em pesquisa, formação e políticas públicas para acompanhar o ritmo de crescimento da indústria.
Caminho para os Jogos Olímpicos de eSports
O reconhecimento internacional dos esportes eletrônicos vem crescendo desde 2021, quando o Comitê Olímpico Internacional (COI) passou a incluir o tema na Agenda Olímpica 2020+5 e promoveu a primeira Olympic Virtual Series.
Desde então, o movimento se consolidou com a realização da Olympic Esports Week (2023) e, agora, com o anúncio da primeira edição dos Jogos Olímpicos de eSports, prevista para 2027.
Com a nova parceria entre o MEsp e a UFLA, o Brasil se posiciona como referência na integração entre esporte, ciência e tecnologia, abrindo caminho para uma presença sólida no palco global dos esportes eletrônicos.
O acordo entre o Ministério do Esporte e a UFLA representa um avanço estratégico para o fortalecimento dos eSports no Brasil, unindo pesquisa, inovação e responsabilidade social em um setor que movimenta milhões de jogadores, espectadores e investidores.
