Com a regulamentação das apostas em funcionamento, a projeção para este ano indica que o mercado formal deverá movimentar R$ 36 bilhões em faturamento das operadoras, sustentando cerca de 10 mil empregos diretos e outros 5,5 mil indiretos.
Desde a aprovação da lei, o número de vagas formais aumentou, acompanhado pela maior qualificação da mão de obra. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), 65% dos trabalhadores têm ensino superior concluído ou em andamento, 47% atuam em funções técnicas ou de nível superior, e o salário médio é de R$ 7 mil, acima da média nacional registrada pelo IBGE.
A massa salarial gerada pelos empregos diretos chega a R$ 460 milhões por ano, somada a R$ 87 milhões em encargos sociais. Pelo Modelo de Insumo-Produto, a LCA calcula que cada R$ 1 de renda direta pode resultar em até R$ 2,2 quando considerados os efeitos sobre a cadeia produtiva. Esse processo ocorre paralelamente à criação de 67 novas ocupações formais, impulsionadas pelo avanço tecnológico e pela operação das empresas — entre elas, desenvolvedores, analistas de risco e profissionais de produto.
André Gelfi, diretor conselheiro e cofundador do IBJR, afirmou que a regulamentação abriu um ciclo de investimento, geração de empregos e expansão de atividades ligadas ao esporte, marketing e entretenimento, inserindo o setor em uma cadeia produtiva mais estruturada.
Na área tributária, as projeções da LCA indicam uma arrecadação de R$ 9 bilhões até o fim de 2025, somando tributos federais e municipais, além da contribuição de 12% sobre o faturamento bruto das operadoras. Esses valores são destinados obrigatoriamente a áreas sociais, alcançando montantes equivalentes ao financiamento anual de milhares de profissionais da segurança e educação, bem como de unidades básicas de saúde.
Para Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, o avanço da regulamentação já traz resultados concretos na economia, com retorno financeiro para o setor público, ampliação dos investimentos e formalização da mão de obra.
O estudo também destaca o impacto do setor no futebol brasileiro. Em 2025, 18 dos 20 clubes da Série A masculina terão operadoras como patrocinadoras máster, totalizando R$ 1,1 bilhão por temporada. Esses contratos representam valores, em média, 2,6 vezes superiores às premiações esportivas recebidas pelos times, o que aproxima a importância financeira do segmento às conquistas em competições nacionais e continentais.
Esse volume de patrocínios representa uma parcela significativa das receitas dos clubes da elite, influenciando diretamente sua capacidade de planejamento — especialmente porque a ausência desses recursos exigiria desempenho esportivo muito acima da média.
Gelfi destacou ainda que a participação das operadoras licenciadas contribui para a estabilidade financeira do futebol, enquanto a atuação de empresas não regulamentadas permanece como o principal risco ao ambiente competitivo, por não recolherem impostos nem contribuírem para o financiamento do esporte.
A regulamentação em curso estabelece critérios de licenciamento, monitoramento de pagamentos, identificação de usuários e práticas de jogo responsável. A continuidade da implementação dessas regras — abrangendo fornecedores, meios de pagamento e publicidade — tende a reforçar a segurança das operações e reduzir o espaço das empresas que atuam fora do ambiente regulado.
